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Hélder Pereira Hélder Pereira

AntiKythera, ou como o conhecimento nunca vem só!

Podemos aprender os temas de forma superficial? Sim, claro que podemos. Podemos aprender de tudo na vida de forma superficial. Mas aí estaremos apenas e só a estudar a capa de um livro, como se observássemos a capa, passássemos os olhos pelo índice e pelos capítulos… e depois no fim desejássemos compreender uma história que realmente não lemos.

Para realmente compreender a Astrologia, é necessário entender também determinados fenómenos que nos rodeiam e para isso existem estudos específicos fundamentais como a Astronomia, Filosofia, Alquimia e Geometria Sagrada.

 É impossível compreender as leis da Terra, ou como tudo se manifesta nela, sem estudar as leis que a rodeiam e por isso, já nos tempos antigos, todas as artes liberais eram a base de estudo e da ciência. Os antigos sábios compreendiam que, tudo está conectado e ligado. Sem compreender as manifestações individuais, nunca entenderemos como se manifesta o todo.

Então, como compreender Saturno, Sol ou Lua, ou mesmo Marte, sem entender todas as leis do céu? E será suficiente entender as leis do céu, sem aprender as leis da terra?

 Hermes Trismegisto escreveu na sua Tábua de Esmeralda que o que está em cima é como o que está em baixo, não é igual, mas é “como”. Então se desejamos entender a matéria, temos de estudar o etéreo, se desejamos entender a noite teremos de estudar o dia, se desejamos entender o frio será fundamental compreender o quente, sendo que vivemos em dualidade pura, e internamente manifestamos essa dualidade na divisão racional e criativa do cérebro.

 Os sábios dominavam todas as leis herméticas e as artes liberais e prova disso é o computador analógico mais antigo do mundo datado de perto de 150 aC, ou seja, há mais de 2 mil anos.

O mecanismo de AntiKythera, é um instrumento mecânico feito de bronze, como se fosse um relógio, usado provavelmente pelos antigos sábios gregos, tendo em conta o facto de ter sido descoberto perto da ilha grega Kythera, em 1901, obtendo daí o seu nome.

 Este mecanismo mostra que, já na antiga Grécia se conhecia com uma exatidão impressionante todos os movimentos celestes, sendo que o instrumento mostra principalmente os movimentos dos luminares, Sol e Lua, e tem um mostrador específico para os Eclipses. Teria mostradores também para todos os planetas, sendo que um dos que se encontraram era supostamente referente a Saturno.

 Então os antigos sábios, que estudavam Filosofia, fundamental para compreender o mundo, procuravam também compreender Astronomia Celeste, pois apenas assim conseguiam compreender de forma preditiva o que poderia acontecer no planeta. Volto a referir que na tradição hermética, que orientava a prática de muitos destes sábios, há uma analogia entre o que acontece no cosmos e o que se manifesta na terra. O conhecimento filosófico era apenas uma das abordagens, mas também a Geometria Sagrada, a Astrologia e Alquimia eram bases fundamentais para esse estudo e compreensão.

Podemos aprender os temas de forma superficial? Sim, claro que podemos. Podemos aprender de tudo na vida de forma superficial. Mas aí estaremos apenas e só a estudar a capa de um livro, como se observássemos a capa, passássemos os olhos pelo índice e pelos capítulos… e depois no fim desejássemos compreender uma história que realmente não lemos.

Então como podemos dominar a nossa vida através do conhecimento?

Para conduzir uma viatura (o teu corpo) terás de primeiro aprender como a viatura funciona e como conduzi-la (saber tudo sobre ti, fisiologicamente, mentalmente e metafisicamente).

Depois tens de atender às regras às quais estarás sujeito, às leis que terás de cumprir (código da estrada, carta de condução), senão, nunca levarás a viatura com sucesso ao teu destino.

E ainda assim, focados no destino, no que é a missão de vida, esquecemo-nos que isso de nada interessa sem primeiro estudar, o que é vida, o que desvenda e o que esconde, o que nos mostra e ainda assim não queremos ver. Integrar a História, a Filosofia e todas as Artes Liberais é uma forma de compreender a vida simplificar o seu caminho. Essa é a visão integrada e estruturada que procuramos passar na Escola de Astrologia Hermética.

 

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Hélder Pereira Hélder Pereira

Magia Astrológica, uma possibilidade ou uma ilusão?

A Astrologia serve para conhecer os ritmos, os padrões, as frequências, conhecermos as nossas ferramentas e perceber o que precisamos fazer. Nunca faremos o que gostaríamos, pois essa é a nossa área de conforto onde não há aprendizagem, e nunca elevarmos a essência da alma sem essa verdadeira magia. Não é possível conhecer a mudança sem conexão com Deus e é só para isso que as ferramentas nos servem, e a partir desse ponto muito cuidado com o que pensam e desejam, pois a magia acontece.

Em muitas linhagens esotéricas (ou talvez devêssemos chama-las de exotéricas pois têm muito pouco de impenetrável ou de arcano) acabamos invariavelmente por ter uma litúrgica magistica. A grande questão é, porque é que se gosta tanto de aprender magia? E existe magia astrológica?

Antes de responder a esta questão vamos viajar um pouco no tempo e compreender que o sec. XVIII e Sec. XIX foram importantíssimos com as linhagens das ciências ocultas, e com o designado Ocultismo, como uma linhagem diferente da espírita, que se instalou fortemente em toda a europa, impulsionada por nomes reconhecidos que não importa aqui enumerar, e que depois se massificaram e manifestaram no sec. XX através de ordens ou sociedades como é o caso da Golden Dawn, ou da sociedade Teosófica.

Tudo o que foge da simplicidade, do que existe na natureza, tem já a mente do Homem a tomar posse e a fazer perder valor, ofuscados pelo Ego, que todos dizem trabalhar, quando pouco mais fazem do que brincar aos espirituais, não compreendendo nada do que é o Ego, Deus e Fé, misturando tudo, ao ponto de afirmarem a sua espiritualidade através da Fé e do Ego, em vez do Ser, Sentir e Observar.

Deus manifesta-se em toda a natureza, e Deus é a natureza, sendo que tudo o que fuja dessa simplicidade, que podemos observar, leva-nos a entrar nas trevas, onde o Ego domina, pois ele é o rei das trevas.

E pelo meio ainda surgem as religiões, em que cada missa é um ritual de alta magia, a que todos assistimos achando que será já algo com pouca teurgia magistica, mas que guarda um poder imenso, não fossem estes rituais controlados pelas igrejas. Rituais fundamentais nos processos inconscientes do Ego, enraizados há milhares de anos, usados no novo testamento pela mão do Imperador Constantino por não os conseguir combater ou mudar.

Quantos de vós, nos vossos processos individuais, já executaram de forma rigorosa determinadas práticas que levam a vossa estrutura ao limite e à rutura? O Ego cria uma estrutura, ilusória, mas que no nosso consciente é a nossa estrutura e torna-se difícil compreender que temos que fazer ruir o que achamos que nos dá as bases. Mas se eu não confiar no Mestre, se eu nunca desmontar o Ego, nunca terei o discernimento para compreender o processo até o finalizar, ultrapassar, vivenciar e integrar.

Isto tudo para responder à pergunta que dá o mote ao artigo, sim, existe magia astrológica, e é comum ficarmos seduzidos pela aprendizagem da componente mágica, porque queremos ter poder, queremos ter controlo, sem perceber por vezes que esse é um controlo de manipulação. A única coisa que precisamos de controlar é o Ego, e depois disso, tudo renasce, num trabalho que deve ser acompanhado por Mestres que já tenham feito o caminho operativamente.

Agora, a magia que não trabalha o Ego, essa somente uma fuga para o exterior de si próprio, por si só não tem nada de esotérico, mas é antes um sistema exotérico, e em muitos casos apenas exotérmico, produzindo calor e as suas doenças.

E atualmente a astrologia psicologiaca moderna potencia o Ego, o trabalho individual do Eu desenraizado, sem compreender o Ser e o Sentir, desconectando-se de Deus, o que logo por si torna impossível o trabalho do Ego.

Então em toda a aprendizagem de um verdadeiro iniciado, o que é que se aprende primeiro? O poder da Lua, do Norte e a sua relação com Saturno que lhe é oposto, ou não controlasse os dois signos que são regidos pelos dois luminares, Sol e Lua. A perceber a sua diferença em relação ao Sol e ao Oriente, em relação ao poder e à sua abdicação. Nenhum verdadeiro Mestre vos ensinará magia, aquela realmente precisam para mudar interna e alquimicamente, sem a verdadeira abdicação do fundamental, do Poder.

Enquanto o Poder estiver a assumir o controlo de todo o processo, muita pedra terá de ser polida, e a pessoa não sai do mesmo sítio, dos mesmos ciclos, dos mesmo processos, ritmos e padrões, pois essa é a fronteira de perder tudo, do trabalho ser em vão. O Mestre que apenas orienta e observa, assiste e sorri, pois sabe muito bem o caminho do Aprendiz, muito antes de ele próprio o entender.

No Tarot, o Eremita (Arcano IX) é o que orienta a Luz no caminho, mas para isso ainda tem de confiar e acreditar, mesmo que não entenda (Arcano X - Roda), onde o Ego, a Ignorância e o Poder se encontram, para poder ter a Força (Arcano XI) de controlar o Ego, mudar a visão e o prisma no Pendurado (Arcano XII) e Morrer (Arcano XII – Morte).

Este é um processo no qual aquele que acha que é o Mago, não passa de um malabarista de circo que brinca aos ilusionistas. O verdadeiro trabalho, a verdadeira magia é o controlo mental, e a integração do Ego. Tudo o resto é a manipulação do Ego sobre a Alma.

Na Escola de Astrologia Hermética, procuramos apreender as ligações da Astrologia com todo o trabalho individual, mas para que esse trabalho se possa fazer, e a transformação Escorpiônica ocorra, é fundamental assumir a responsabilidade da escolha.

Duvidem sempre quando alguém diz que o deseja muito fazer, que está pronto para essa viagem, pois esse é o Louco que nada sabe. Quando a verdadeira escolha acontece, e sentimos o corpo a tremer, a mente assustada, o Medo no controlo, e mesmo assim não recuamos, então aí entramos na jornada do Guerreiro.

É para isto que a Astrologia serve, para conhecer os ritmos, os padrões, as frequências, conhecermos as nossas ferramentas e perceber o que precisamos fazer. Nunca faremos o que gostaríamos, pois essa é a nossa área de conforto onde não há aprendizagem, e nunca elevarmos a essência da alma sem essa verdadeira magia.

Portanto esqueçam lá as magias de Tarot, as magias de Astrologia, os rituais dos livros. Se querem realmente fazer magia, a sério e real, terão de penetrar nas vossas trevas, de forma tão avassaladora, onde poderão ter de abdicar de tudo e submeter-se á vontade de Deus. Não é possível conhecer essa mudança sem conexão com Deus e é só para isso que as ferramentas nos servem, e a partir desse ponto muito cuidado com o que pensam e desejam, pois a magia acontece.

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Hélder Pereira Hélder Pereira

Saturno, o que nos pede o grande maléfico?

Na verdade todos os planetas têm um aspeto maléfico e outro benéfico, nem tudo é negativo, e se Saturno pode ser desafiante, é ao mesmo tempo ele quem traz os maiores ensinamentos. Cabalisticamente e pela representação de cada uma das sefiroth: uma metade luminosa que olha para Kether, e outra escura que olha para Malkhuth, mas com uma vibração claramente yin ou não se encontrasse nessa coluna, da energia passiva e de contração.

Saturno é considerado tradicionalmente como o grande maléfico, remetendo-nos para épocas ancestrais, em que a informação astral era fundamental à agricultura, e encontramos por isso registos como é o caso do “Moon Sign Book” que diziam: “O milho semeado sob Leão terá um caule resistente e espigas pequenas. Enraíza as estacas para dar flores e trepadeiras e instala arbustos de flores e árvores, em Dezembro e Janeiro (meses de Saturno), quando os signos estão nos joelhos (Capricórnio) e nos pés (Peixes). Nunca transplantes no coração (Leão) nem na cabeça (Carneiro), porque são dois signos de morte. Se quiseres uma grande vinha e ramos com frutos pequenos, planta em Virgem. Não plantes batatas nos pés (Peixes) Se o fizeres, elas criarão protuberâncias pequenas, como dedos de pés, sobre a batata principal.”

Também encontramos referências a Saturno na mitologia, o latim Saturnus era o deus romano do tempo, o equivalente ao grego Cronos, e aqui encontramos o nome “Saturday”, dia de Saturno e regido por este. É um dos titãs, filho do Céu e da Terra. Com uma foice pela sua mãe mutilou o pai, Urano (o deus romano equivalente é Caelus), tomando o poder entre os deuses, obtendo do seu irmão mais velho Titã o favor de reinar no seu lugar, com a condição de “não criar filhos“. Mas Saturno casou com Ops ou Cibele (a grega Reia), com quem teve Júpiter (o grego Zeus), Neptuno (o grego Poseidon) e Plutão (o grego Hades), criando assim uma situação crítica para o seu reinado em virtude do acordo com com seu irmão, e tendo por isso decidido devorar os filhos ou pelo menos simular essa ação.

Titão veio a descobrir que, de facto, dele não havia devorado os filhos, e prendeu-o juntamente com a mulher. Quando Júpiter se tornou adulto, lutou contra seu tio Titã derrotando-o e devolveu o império do céu ao seu pai Saturno. Acabou posteriormente por expulsá-lo do céu, obrigando-o refugiar-se em Lácio, onde fez reinar a idade do ouro, cheia de paz e abundância, tendo ensinado aos homens a agricultura. É o senhor do tempo – tal como Cronos - e do espaço, e apesar da tradição da agricultura lhe dar a conotação de maléfico pois pode destruir as colheitas, é também o deus da realização e da concretização. Na Kabbalah, na Árvore da Vida, governa Binah, a sephirot que representa toda a sabedoria da criação, do universo, da estrutura.

Saturno é o planeta mais afastado da terra (na vertente tradicional), mas também o mais elevado na Árvore da Vida, é aquele que deixou de brilhar mas ao mesmo tempo está no limite do nosso sistema solar, representando a porta para outro lado, além do tempo e espaço.

Na Astrologia costuma-se vê-lo como lento e pesado (na Alquimia é equiparado ao chumbo), representa  o velho sábio ou ancião, associado-se à velhice no seu aspeto mais negativo. Também se relaciona com a melancolia e o desassossego espiritual, é o preâmbulo de realizações profundas, ligadas ao que está mais além, ao mais elevado, misterioso e oculto, sendo que a experiência e a inteligência são alguns de seus atributos benéficos.

Na verdade todos os planetas têm um aspeto maléfico e outro benéfico, nem tudo é negativo, e se Saturno pode ser desafiante, é ao mesmo tempo ele quem traz os maiores ensinamentos. Cabalisticamente e pela representação de cada uma das sefiroth: uma metade luminosa que olha para Kether, e outra escura que olha para Malkhuth, mas com uma vibração claramente yin ou não se encontrasse nessa coluna, da energia passiva e de contração.

Astrologicamente é regente dos signos Capricórnio e Aquário, com características karmicas, traz bloqueios e rigidez que serão necessários compreender e integrar para beneficiar da disciplina, do rigor e do reconhecimento.

Tem uma característica de melancólico, com afinidades diurnas e com júbilo na XII Casa (que gere os processos inconscientes) e demora sensivelmente 29,5 anos a fazer o seu retorno, altura da nossa vida em que é comum colocarmos tudo em questão projetando os próximos 30 anos da nossa vida.

Falando do momento presente, e em termos de ciclo, os próximos 2 anos serão de desafios intensos pois Saturno irá ativar uma energia pura de transmutação interna, reestruturando tudo, com uma grande influência em todas as estruturas, sejam elas grandes ou pequenas, principalmente nos estados e na sociedade, mudando esta vibração apenas em Março de 2020 quando entrar em Aquário, também regido por si, mas com uma ação mais interna, fixa, ao contrário do cardinal Capricórnio. A grande questão é se estarmos dispostos a aceitar os grandes desafios estruturais do grande sábio e mestre Saturno, mesmo que isso implique a perda das bases que criamos ao longo da vida.

 

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Hélder Pereira Hélder Pereira

Não há verdadeiro conhecimento sem o estudo dos clássicos.

Na base do estudo deve estar a leitura das obras clássicas, pois milhares de anos depois permanecem atuais, assente em informação ancestral, de uma época em que o registo em papel não era possível. Estudando os clássicos verificamos que o conhecimento Heliocêntrico é bastante anterior ao que está escrito nos livros de História. A informação científica que nos sustenta hoje já era reconhecida nos tempos antigos, mesmo anteriores aos egípcios. E é esse estudo que permite compreender que a Astrologia contemporânea é ainda incompleta e fraca. Será necessário resgatar as suas mais profundas origens para a compreender na totalidade.

No mundo da Astrologia moderna, assume-se todo o ensinamento atual como verdadeiro, sendo que a primeira regra de qualquer investigação é questionar e precisar as fontes, até porque a História é-nos muitas vezes ensinada com erros. Talvez por isso este artigo possa suscitar alguma polémica, não sendo esse o objetivo, mas antes o de estimular a curiosidade e a apetência a um estudo mais aprofundado.

Sobre o Heliocentrismo, qualquer criança sabe dizer que o Sol é o centro do sistema solar, opondo-se ao Geocentrismo, teoria que supostamente vigorou até ao renascimento, mas que veremos neste artigo, não foi mais do que a recuperação de clássico grego com 2.000 anos e recuando um pouco mais, até nos podemos questionar porque é que há 5.000 anos já os egípcios adoravam o Sol?

A ciência moderna atribui a Copérnico no Sec. XVI o primeiro estudo matemático que provava o Heliocentrismo, com o tema a ganhar relevância com o julgamento de Galileu, no Sec. XVII e aprimorado no Sec. XVII por Johannes Keppler. Galileu foi estimulado a prosseguir os seus estudos, pelo seu amigo e cientista, o Cardeal Roberto Bellarmino – que já tinha presidido ao julgamento que proibiu a teoria de Copérnico – e pelo Papa Urbano VIII que se tinha referido a Copérnico e à sua teoria da seguinte forma: "a Igreja não tinha condenado e não condenaria a doutrina de Copérnico como herética, mas apenas como temerária".

Na sequência deste “incentivo” a prosseguir a sua investigação, Galileu viria a escrever “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo" completado em 1630 e publicado em 1632, onde tornou a defender o sistema Heliocêntrico - obra decisiva no processo da Inquisição, embora o tema já fosse do conhecimento interno da Igreja, 200 anos antes, pelo bispo de Lisieux, Nicolas de Oresme (Sec. XIV), na Normandia.

A História diz-nos que o Heliocentrismo era negado por Aristóteles e por Ptolomeu (a este assunto voltaremos noutro artigo, pois é provavelmente uma interpretação errada a partir do desconhecimento do processo de transmissão deste tipo de conhecimento), mas na realidade esta teoria já era conhecida nesse período, ou Aristóteles não teria escrito o seguinte no século IV a.C.: "No centro, eles [os pitagóricos] dizem, há fogo, e a Terra é uma das estrelas, criando noite e dia pelo seu movimento circular em torno do centro." - Sobre o Céu, Livro Dois, Capítulo 13. Parece então que, alguma informação errada chegou aos nossos dias.

Ptolomeu foi contemporâneo de um iniciado, Marcus Manilius que viveu no Sec. I d.C., e foi uma das suas obras que me motivou à escrita deste artigo. Numa das obras de Marcus Manilius, Astronomica, um livro que muitos entendem como se tratando de poemas, encontramos um profundo conhecimento imbuído que aqui partilho:

“Que o mundo tenha forjado pelo Fogo; que os astros, esses olhos da Natureza, devam a sua existência a uma chama viva distribuída por todos os corpos; formando no céu, o trovão horrível. Que a Água seja o princípio universal, e que, sem ela a matéria, sempre entorpecida, fica sem ação; e que ela tenha engendrado o fogo, pelo qual ela própria é vencida. Ou que enfim a terra, o fogo, o ar, e a água existam por si próprios; que estes quatro elementos sejam os membros da divindade; que eles tenham formado o universo, e que, criadores de tudo quando existe, não permitam o reconhecimento de tudo o que lhes seja anterior: Que tudo tenha disposto de maneira a que o frio combine com o quente, o seco com o húmido, os sólidos com os fluídos, que sempre em guerra e agindo sempre de acordo, por isso mesmo se encontrem intimamente unidos, capazes de criar, suficientemente poderosos para produzir tudo quanto subsiste.”

E desta forma simples se explica a origem de tudo o que existe, sendo este um texto profundo com muito mais do que se escreveu, existindo nas entrelinhas as palavras alquímicas de Deus. E continuamos a assistir a esta clara visão do Heliocentrismo, em pleno Sec. I d.C.

“A Terra (planeta) (…) é imóvel porque o universo se afasta dela em todos os sentidos com igual força” uma maravilhosa explicação da expansão do universo, com 2.000 anos.

“os corpos que a compõem, igualmente comprimidos por todos os lados, sustentam-se reciprocamente, e não lhe permitem deslocar-se (…) o Sol seguido por todos os astros do céu, não se dirigia com tanta constância para ocidente; a lua não conduziria o seu carro no espaço abaixo do nosso horizonte; a estrela da manhã (Vênus) não brilharia às primeiras horas do dia, depois de ter dado a sua luz do lado do ocidente sob o nome de estrela da tarde”, uma clara demonstração do Sol no centro do movimento astral.

E para salientar ainda mais o alto conhecimento das leis cósmicas, do céu e da terra, presentes neste livro que recomendo vivamente, finalizo: “A sua superfície não se alarga numa imensa planície: é esférica e eleva-se e descai em todos os pontos”.

Estudando os clássicos verificamos que o conhecimento Heliocêntrico é bastante anterior ao que está escrito nos livros de História, os gregos já detinham essa informação e a sua origem estará há pelo menos 5.000 anos…, mas isso seria tema para um livro e não apenas um breve artigo.

É por isso que na base do estudo devem estar os clássicos, pois milhares de anos depois permanecem atuais, assente em informação ancestral, de uma época em que o registo em papel não era possível. E é esse estudo que permite compreender que a Astrologia contemporânea é ainda incompleta e fraca. Será necessário resgatar as suas mais profundas origens para a compreender na totalidade. A informação científica que nos sustenta hoje já era reconhecida nos tempos antigos, mesmo anteriores aos egípcios.

O estudo de obras clássicas como Marcus Manilius é uma parte fundamental do processo de aprendizagem na Escola de Astrologia Hermética, fundamental para compreender a Astrologia atual, compreendendo que os antigos tinham maior conhecimento sobre as leis do Universo, do que aquele que dispomos atualmente. Por isso é que uma das artes liberais mais importante é a Filosofia, o amor à sabedoria.

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Hélder Pereira Hélder Pereira

Uma Lua, muitos significados.

Em cada momento da nossa história planetária, da nossa evolução cultural, manteve-se a analogia e a integração do conceito de Deusa Oculta, a que nunca desvenda tudo, mas que tudo sabe. Peça fundamental no processo evolutivo, de trabalho do Ego. Em cada lunação uma nova oportunidade para refazer e executar de forma, abdicando do mais difícil, do Poder que este elemento poderá trazer.

A Lua é um dos luminares, juntamente com o Sol, e é um dos astros errantes que rodeiam o nosso planeta, isto no ponto de vista da Terra, obviamente.

A Lua tem inúmeros significados, tantas associações míticas que se perderam no tempo, tanto significados psicológicos, iniciáticos, médicos, humanos ou familiares, como a relação com a mãe na nossa estrutura pessoal. Falar de Lua na Astrologia Integrada, como a vemos aqui na Escola de Astrologia Hermética, é olhar para todas as significâncias e integrá-las num conhecimento mais abrangente.

Sabendo que Lua tem um ciclo quaternário e duas faces, implica  consequentemente uma importante noção de ambivalência no processo individual, sendo que para entender essa ambivalência devemos olhar para a sua simbologia ancestral.

Mitologicamente poderemos associar a Lua à Deusa romana Diana, à Deusa grega Selene ou Ísis se abordamos a linhagem egípcia, Kuan Yin na perspetiva taoista.

Cada uma das épocas, povos ou culturas absorveu um mito, uma designação local, uma adaptação geográfica, mantendo-se, no entanto, a representação arquetípica associada à natureza, como observamos também em Yemanjá ou na linhagem africana Yorubá, a representação da Grande Mãe e do Grande Mar.

Em cada momento da nossa história planetária, da nossa evolução cultural, manteve-se a analogia e a integração do conceito de Deusa Oculta, a que nunca desvenda tudo, mas que tudo sabe.

É a regente do signo de Caranguejo, torna-se maleável e representa uma das 7 leis metafísicas como a incerteza e inconstância. O ritmo dos seus ciclos marca uma vibração ao longo do mês e do ano, e surgindo nos céus durante a noite é representação do noturno, contrapondo como Sol que rege o diurno.

Classicamente é uma energia fleumática quando associada aos humores de Hipócrates no Séc.IV a.C., estando representada em pintura pelo artista Albrecht Dürer com o Apóstolo São Marcos e fazendo assim uma analogia bíblica com o corpo.

Também pela linhagem médica encontramos várias associações à Lua, sendo que a analogia, na Medicina Tradicional Chinesa é feita com os designados líquidos orgânicos, os Jin Ye, e ao sangue, o Xué. Isso permite-nos, por exemplo, observar um mapa natal, e através do posicionamento lunar ou a forma como a Lua está aspetada, intuir padrões de tendência genética para determinadas maleitas.

Segundo a Kabbalah e na representação da árvore da vida, a Lua está no pilar da vontade e da harmonia, no pilar do centro, representada pela Sephirot Yesod, com a designação de fundação. É uma das bases do Ego, associada ao apego emocional, existindo um contraponto com outra forma de apego, a Avareza de Saturno. O seu demónio é a preguiça, com o nome original de Acídia, e estes dois planetas (Saturno e Lua), na base e no topo da árvore, representam duas portas opostas do mesmo corredor.

A tradição diz-nos que a Lua é uma das peças fundamentais no processo evolutivo, de trabalho do Ego, num processo que deverá, ou pelo menos deveria, ser vivencial e nunca mental ou teórico, para que haja efetiva aprendizagem e transformação.

Assim, em cada lunação temos uma nova oportunidade, ao longo das 13 (o arcano do tarot conhecido como a Morte) que acontecem durante ano, e nos seus ciclos de 19 anos (o arcano do tarot conhecido como o Sol), refazer e executar de forma diferente determinados processos até conseguirmos a excelência e concretização dos mesmos. Abdicando do mais difícil, do Poder que este elemento poderá trazer.

 

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